Parem com isto 01/19/2009
 

Em dias foram-se o João Aguardela e a Tereza Coelho.
Do primeiro recordo as músicas, meia dúzia de espectáculos e ter reconhecido o talento à Mitó, velha amiga e companheira de escola. Era um músico. Morreu com cancro aos 39 anos.

Com a Tereza tenho história. Antiga e muito terna. No autocarro 28 e por causa da Duras.

Valiam muito.

 
Freeport 01/19/2009
 

Considerando que não há publicitação do nome do alegado ministro sob investigação pelas polícias britânicas e nacionais sobre eventual favorecimento na mudança da zona de protecção do estuário do Tejo para que, assim, se construísse o Freeport, todos os antigos ministros de António Guterres passam a estar, na praça pública, sob suspeita.

Isto não é só mau como define um País. A saber:

1 - Não ha UM ex-ministro (ou seu familiar) que se sinta ofendido com o boato. Se houvesse, o jornal "Sol" e a jornalista Felícia Cabrita estariam em maus lençóis;

2 - As sucessivas respostas da Procuradoria Geral da República sem que ninguém lhe pergunte nada são reveladoras de melindre.

3 - Há que distinguir entre o meio de prova, a prova, o indício e uma data de figuras jurídicas existentes numa investigação ou eventual julgamento. O jogo semântico nada interessa ao público e aos eleitores. O que lhes (nos) interessa é saber se algum político português, no exercício das suas funções, usurpou os seus poderes ou deles se fez valer para aprovar uma medida que tenha, eventualmente, sido incorrecta.

4 - Não está provado que a construção do empreendimento comercial tenha prejudicado o estuário do Tejo. Não está provado também o contrário. Aliás, o Freeport, para infelicidade dos seus empreendedores, dos seus trabalhadores e do meio onde está, revelou-se muito aquém das expectativas comerciais e de lucro.

5 - Interessa saber se o que um tal de senhor Smith diz num alegado video (que terá gasto dinheiro dos investidores, inclusivé da família Real britânica) é verdade. Isto é, se o senhor Smith diz aquilo que diz, se o dinheiro foi mesmo gasto em luvas ou foi usado noutra coisa qualquer e se os nomes ou nome que o senhor Smith refere alguma vez receberam ou recebeu o referido dinheiro.

6 - O video do senhor Smith nada prova. A notícia do "Sol", embora meritória pela investigação que está por detrás e todo o trabalho da jornalista Felícia Cabrita, peca por escassa, perigosa e enganadora.

6.1 - Porque não revela o nome referido, essencial para a precepção do caso e sua dimensão.

6.1 - Perigosa, porque lança um manto de suspeição de Sousa Franco (já falecido) a Maria de Belém (que preside a comissão de inquérito ao caso BPN); de Oliveira Martins (que hoje é Presidente do Tribunal de Contas...) a Jorge Coelho (hoje líder de uma empresa de construção civil candidata a milhões em projectos estatais), de Mariano Gago a António Costa, a José Sócrates, (actualmente em funções governativas ou de poder).

6.3 - Enganadora, porque se for verdade a sua manchete, isto é, se estiver provado, do ponto de vista jornalístico, e sob todo o rigor a que isso obriga, que um ex-governante recebeu luvas, essa informação não está no jornal. Pode estar na redacção, pode estar em posse do jornal. Mas não se pode, de forma lógica ou mesmo silogistica, chegar à conclusão que o jornal chega apenas com o que ali está escrito.

Ora, parece mais do que evidente que a pressa da PGR em comentar sobre o texto revela que o "Sol" está a apertar o cerco ao dito ministro e que a revelação do seu nome pode estar para breve. Se o "Sol" assim o decidir, isto é, se o "Sol" decidir publicar o nome em causa, terá que ultrapassar vários problemas. A saber:

1. Uma eventual providência cautelar do visado.
2. Uma eventual providência cautelar das polícias ou da PGR, uma vez que o processo está a ser investigado.
3. Eventuais processos de difamação, abuso de liberdade de imprensa, atentado ao bom nome, etc., que o(s) visado(s) entendam por bem colocar.

Perante isto, ha ainda que sobrelevar que, apesar desta ser, sem dúvida, a notícia da semana, poucos foram os órgãos de comunicação jornalistica que nela pegaram, para a relatar ou apenas fazer o que se chama, na gíria, um "follow up". Um "follow up" interessante seria, por exemplo, ligar a todos os ex-ministros e perguntar-lhes o que acham ter sido visados...

Em resumo: o caso Freeport acabará deslindado pelos britânicos que, ao abrigo da mais antiga e rameira aliança do mundo, hão-de ter sobre Lisboa mais uns bons anos de domínio e influência, porque têm informação que preocupa o poder português. Antes o segredo em Londres do que a verdade no mar da palha...

 
 

Morreu Ricardo Montalban, o actor da Ilha da Fantasia, onde tinha um anão, e, para os nerds, o temível e terrível Khan de Star Trek. Aqui fica a cena mítica com The Shat. PASA.

 
 

O CARDELA PATRIARCA DE LISBOA DISSE POR ESTES DIAS A SEGUINTE E EXTRAORDIÁRIA FRASE: «Cautela com os amores. Pensem duas vezes ANTES DE casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam».
Ó D.JOSÉ POLICARPO,
ESTA DE QUERER ROUBAR PARCEIRAS AOS MUÇULMANOS PARECE-ME, FRANCAMENTE, UMA MÁ MEDIDA.

PRIMEIRO, PORQUE OS MUÇULMANOS PODEM TER VÁRIAS MULHERES AO MESMO TEMPO, COISA QUE OS CATÓLICOS NÃO PODEM, E O ÁRABE FIÉL A ALÁ QUE ESCOLHER UMA MENINA APOSTÓLICA FICA A PERDER.

DEPOIS, PORQUE UM MUÇULMANO QUE MORRA PELA CAUSA ENCONTRA LOGO SETENTA VIRGENS NO CÉU, ENQUANTO O CATÓLICO QUE MORRA EM NOME DO SENHOR O QUE O ESPERA É, TALVEZ, SER RESSUSCITADO NO DIA DO JUIZO FINAL: ATÉ LÁ, FICA QUIETO.

MAIS AINDA: NÃO PERCEBO PORQUE NÃO AVISA OS RAPAZES A PENSAR DUAS VEZES ANTES DE CASAR COM UMA MUÇULMANA. OU SERÁ QUE PARA NÓS, HOMENS, ATÉ HÁ QUALQUER COISINHA A GANHAR EM ARRANJAR UMA CRENTE EM ALÁ? SERÁ QUE ELA ACEITA MELHOR O ADULTÉRIO, AS IDAS À BOLA COM OS AMIGOS OU O MACHISMO?

ISTO É: O SENHOR CARDEAL PATRIARCA ANDA PREOCUPADO QUE AS MENINAS DE SACRISTIA SE APAIXONEM PELO OMAR SHARIF, MAS ESTÁ-SE NAS TINTAS PARA QUE O ZÉ FERNADES E O AFONSO SILVA E O MANUEL DAS GALINHAS ARRANJEM UMAS ÁRABES PARA DAR UMAS VOLTAS.

ACHO MAL.

CONFESSO QUE NÃO SEI SE JESUS, QUE ERA JUDEU, ESTARIA DE ACORDO. MAS ENFIM.
BOM 2009 E ATÉ PARA A SEMANA.
UM ABRAÇO DESTE VOSSO



 
 

Esta gaita de anúncio, que leio pela net leva a um serviço de mensagens de telemóvel qualquer, é dos banners mais irritantes que tenho encontrado. Mal se passa o rato por cima do boneco - e não é poucas vezes - vem o grito infernal da Manuela Ferreira Leite, acompanhado com um lancinante olhar. O objectivo dos senhores é advinhar quando é que cada um de nós morrerá, com data e hora marcada. Para os mais hipocondríacos isso até pode ser um alívio. Mas para os comuns, onde me incluo, é uma perda de paciência.
A publicidade da net é má e está a anos luz do que um dia poderá ser. Está mal feita, mal desenvolvida, com deficiências graves, sem explorar as capacidades técnicas e de imaginação. Mas há limites para o "mau" e este banner é de um ridículo incómodo.


 
 

Nos últimos seis dias os jornais, rádios e televisões gastaram centenas de horas a dizer que estava frio. Ou estava frio na Serra, ou estava frio na cidade, ou está frio em casa, ou está frio na ponta do nariz. O frio é algo de natural, o frio é normal no Inverno.
Há dez anos era o queixume "ai que já não há estações do ano, ai que vem aí o Al Gore com uma tocha na mão para aquecer o planeta, chamem o senhor Quioto que ele é que sabe". Agora, que está frio, como deve, aliás, está o povo à uma a bater o dente e a queixar-se, Este povo é muito estranho.

 
 

Depois de três semanas de simpatia internacional, com o povo do mundo atlântico a "compreender" as razões porque Israel invadia Gaza, esta noite soube-se que os de Tel-Aviv mataram voluntários de ajuda humanitária da ONU, durante as três horinhas de paz que tinham sido combinadas.
Nesta guerra do Solnado, em que todos param para almoçar, a morte dos voluntários fez passar o bom povo outra vez para o lado do Hamas, seja lá o que isso for. Agora, já não interessa a morteirada. Os danos vitais colaterais de que a ONU foi alvo vão dar cabo da cabeça aos humanistas que diziam ser uma chatice levar com os rockets e que a guerra até, pronto, até se justificava.
Para cúmulo, um gajo qualquer de Israel veio dizer que até o Hamas mata os da ONU de vez em quando.
Estamos em 2009. Era um ano a estrear. Não parece, pois não?

 
 

Se o rendimento cá de casa baixasse apenas 0,8 por cento este ano de 2009 fariamos uma festa. Se as consultas e os colégios e a carne e a gasolina e a revisão dos carros e as contas de gás e de água e de luz e as mulheres a dias e os detergentes da roupa e o diabo nada aumentasse e nos tirassem, grosso modo, 20 euros por mês, se nada subisse e o nosso saldo no fim do mês baixasse 20 euros era um pequeno revés. Nada de grave que umas horas de trabalho não compensasse. Agora, expliquem lá se cá em casa - e aí em casa - é assim, porque é que este senhor que parece o avô da Heidi está tão preocupado? Não pode arranjr à malta qualquer coisa pra fazer em casa? Sei lá, dobrar circulares para os espanhóis? Depressa vamos buscar os 20 euros que faltam.
Ou será que ainda não tiveram tempo de, um a um, ir ver os investimentos públicos que só dão despesa, que ainda não perceberam que os gestores não têm de andar sentados em BMs do último modelo, que os compadrios levam dinheiro vital para investimento mesmo investimento? É que se nos faltar dinheiro cá em casa, a gente vai ali ao talho 36 e traz um saco de 35 euros que vem com carne para o mês todo, em vez de andar a comprar lonchas do Pingo Doce, com vitela portuguesa, dois bifinhos de cada vez, a um preço dos diabos.
Será que o avô da Heidi tem cartão minipreço para a crise?


 
Livros de natal 01/06/2009
 

O DN de hoje anuncia que José Rodrigues dos Santos é o campeão de vendas deste Natal. À frente de Saramago, à frente de Lobo Antunes.
É justo.
Nunca li um livro do senhor, por isso abstenho-me de comentar a qualidade dos textos. Peguei há dias no último romance do jornalista e, depois da primeira linha, em que o sol jorrava pela janela, pensei em não continuar. Mas isso sou eu, que encontro motivos de preconceito em todo o lado. Fico contente, para já, que JRS seja o número um. É português, agrada aos portugueses, não é burro, tem vida e qualidade. Pode ser um pedacito pimba a escrever - volto a dizer que não li nenhum livro do senhor -, mas pode até ser que apenas precise de muletas para começar e que à página 70 o texto já vá a cem à hora, a caminho da emoção pura e dura.
Respeito mais os romancistas e poetas do que os ensaístas. Estes têm a papa feita, basta-lhes a análise. Quanto àqueles, têm de puxar pela cabeça e criar mundos.
O meu livrito parece não ter vendido muito mal, Para um capa dura a 20 euros (quatro milenas das antigas), parece que muitos o consideraram uma prenda simpática. A segunda edição já escasseia e ainda esta noite o voltamos (eu e o Ricardo Cabral) a mostrar num encontro de gente da BD em Lisboa.
Em suma: vivam os portugueses que já não escrevem apenas para a gaveta ou fazem apenas cópias más do Lobo Antunes, do Sepúlveda e dos latino-americanos.


 
 

O senhor primeiro-ministro foi à SIC demonstrar que os entrevistadores estavam ali a dar opinião e não a fazer perguntas. A análise é injusta, mas ao longo de hora e meia de uma boa entrevista a José Sócrates, a imagem e desempenho e José Gomes Ferreira e Ricardo Costa sai beliscada pelos permanentes toques de vitimização política que o PM soube fazer.
Preocupados em fundamentar as perguntas, os entrevistadores deixaram-se, por vezes, levar pelo calor da injustiça que, sentem, o governo do PS provoca. E não resistiram a opinar - o que não e errado - mas deixaram, a tempos, fugir a presa.
Isto é, a melhor entrevista de Sócrates, do ponto de vista do entrevistador, foi também a melhor entrevista de Sócrates para o próprio. Ficámos esclarecidos: 2009 vai ter eleições europeias ao mesmo tempo que as legislativas.